Criança que teve corpo queimado vive hoje feliz com pais adotivos

Kauan Vinicius  Alves, de 5 anos, que teve mais de 40% do corpo queimado por causa de uma briga em que o padrasto do menino ateou fogo em um colchão onde a criança dormia. Kauan hoje está recuperado e vive feliz com a nova família.

Kauan completou 5 anos nesta última quinta-feira (30). A criança foi adotada por Lucas Fernando Alves que é parente do garotinho, e por Meire Helen de Oliveira. O casal ainda tem os filhos Nicolas Gabriel e Nicole Kauane. Kauan foi adotado quando tinha 7 meses de vida.

Hoje a criança é sadia, ganhou muito amor dos pais, vai para uma creche, e ainda recebe o carinho de mais dois irmãos. Kauan que não lembra do episódio leva no corpo as marcas causadas pela inconsequência e irresponsabilidade dos verdadeiros pais.

Lucas contou ao repórter André Almenara que Deus fez um milagre na vida de Kauan. “A criança tinha apenas 2 meses de vida quando foi internada em Londrina, mas eu tinha Fé que Kauan iria sobreviver e se recuperar dos ferimentos e do trauma sofrido”, disse o pai.

Meire Helen conta que a melhor escolha foi adotar Kauan. “Sou muito feliz por ter adotado ele, tive que apoiar meu marido e decidir em minutos o futuro do menino”, disse a mãe. Meire ainda relata que o ambiente da casa é feliz, e que todas as crianças recebem o mesmo carinho e atenção.

O CASO

Um homem foi preso em Sarandi, na noite do dia 5 de janeiro de 2015, após atear fogo a uma cama onde estava um bebê com sete meses de vida. De acordo com a Polícia Civil de Sarandi, a criança teve mais de 40 % de seu corpo queimado. O suspeito é padrasto da vítima e incendiou o imóvel durante uma discussão de casal.

Policiais informaram que a ação criminosa ocorreu em uma casa localizada na rua 15, no bairro Jardim Novo Independência. A mãe e o padrasto do bebê estavam alcoolizados e, em meio a uma briga, o homem ateou fogo a um colchão com tíner, solvente químico altamente inflamável.

Atingida pelas chamas, Kauan foi socorrido por um vizinho, que o levou para UPA (Unidade de Pronto Atendimento) com ferimentos graves. A vítima foi transferida para o Hospital Metropolitano de Sarandi. Na sequência o bebê foi encaminhado para o Hospital Universitário de Maringá.

Devido a gravidade das queimaduras, uma aeronave da Polícia Militar transportou Kauan para a ala de queimados do Hospital Universitário de Londrina onde ficou hospitalizado na Unidade de Terapia Intensiva do Centro de Tratamento de Queimados (CTQ).

O casal foi preso pela Guarda Municipal de Sarandi. Segundo a Polícia Civil, a mulher acusou o companheiro pelo crime e chegou a afirmar que mataria o homem. No bolso do suspeito foram encontrados um isqueiro e a tampa do galão de tíner. Diante das provas e de testemunhos colhidos, a mãe foi considerada inocente e liberada.

Já o padrasto permaneceu preso. O histórico do casal com relação aos cuidados com os filhos não era bom. Os dois possuem oito filhos, dos quais sete tiveram a guarda retirada pelo Conselho Tutelar e vivem em abrigos na cidade, porque seus pais são usuários de crack.

Ailton Ruiz, de 36 anos, foi condenado em 12 anos e 8 meses de prisão em regime fechado por ter causado queimaduras no corpo de Kauan. Na época além da briga do casal, Ruiz teria ficado incomodado com o choro do bebê.